Leandro Missiatto · artista visual
Sobre

Biografia
Leandro Missiatto
artista visual
Leandro Missiatto é artista visual brasileiro, radicado em Pimenta Bueno, Rondônia. Sua produção investiga relações entre corpo, memória, território e transformação da paisagem amazônica, articulando experiências sociais, deslocamentos, marcas ambientais e formas de pertencimento. Trabalha principalmente com pintura e técnicas mistas sobre papel e tela, combinando acrílica, aquarela, pastel, carvão, nanquim e outros materiais. Sua pesquisa transita entre figuração e abstração, recorrendo a fragmentos de corpo, cartografias, dissoluções, manchas e camadas para construir imagens em que sujeito e território se atravessam.
01
Statement
Minha produção parte de uma pergunta recorrente sobre aquilo que permanece inscrito nos corpos e nos territórios mesmo depois da transformação. Trabalho com a Amazônia como experiência vivida, memória, paisagem em disputa e campo de relações, evitando tratá-la apenas como imagem reconhecível ou repertório de representação.
Nas obras, corpo e território frequentemente deixam de ocupar posições separadas. Pele, água, mapas, cicatrizes, rios, vegetação, vestígios urbanos e matéria pictórica passam a compartilhar uma mesma superfície. Interessa-me especialmente esse momento em que uma figura começa a se dissolver, uma cartografia atravessa um corpo ou uma paisagem deixa de ser apenas cenário e passa a participar da constituição da própria presença humana.
A pintura é construída por acúmulos, apagamentos, transparências, raspagens, manchas e sobreposições. Trabalho entre figuração e abstração porque essa instabilidade permite que a imagem permaneça aberta, sem se encerrar numa narrativa única. O que busco é trabalhar a partir das marcas que o território produz na memória, na experiência e na matéria.
02
Pesquisa artística
Minha pesquisa artística se desenvolve a partir das relações entre corpo, território, memória e transformação ambiental na Amazônia, com atenção particular às formas como mudanças na paisagem, deslocamentos, experiências sociais e processos de pertencimento deixam marcas materiais e simbólicas.
A figura humana aparece muitas vezes de modo parcial, fragmentado ou em dissolução. Em vez de funcionar como personagem isolada, ela se mistura à paisagem, às águas, às cartografias e às superfícies pictóricas. Essa escolha permite pensar o corpo também como lugar de inscrição de experiências territoriais, históricas e afetivas.
As cartografias aparecem de maneira recorrente, porém raramente como mapas descritivos. Elas surgem como linhas, traçados, percursos e estruturas que atravessam braços, rostos, fundos e manchas, funcionando mais como memória espacial do que como representação geográfica objetiva.
Formalmente, trabalho entre figuração e abstração. Interessa-me preservar ambiguidades, zonas de desaparecimento e áreas em que a imagem parece estar sendo construída ou apagada ao mesmo tempo. Uso acrílica, aquarela, pastel seco e oleoso, carvão, nanquim e outras técnicas mistas sobre papel e tela, explorando veladuras, borrifos, raspagens, sobreposições e diferentes densidades de matéria.
A experimentação integra esse percurso. Testes de material, mudanças de direção e trabalhos que não chegam a uma forma definitiva também participam da construção da linguagem e alimentam séries posteriores.